Órgão Público

Estudante

Instituição de Ensino

Estagiário

Estágio Obrigatório

Supervisor

Notícias Coluna

09/06/2016

O hábito da leitura x crescimento pessoal e profissional

De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Oxford, comparando os hábitos de 17.200 pessoas, com idade de 16 anos, e suas posições profissionais aos 33 anos, notou-se que, entre cinema, esporte e outras atividades, a única essencialmente relevante para a melhoria profissional foram as leituras. Com isso, é possível concluir que aquele que, desde jovem, dedica algum tempo livre para leitura pode se tornar no futuro um profissional mais bem-sucedido.

A leitura espontânea, além da obrigação escolar/profissional, aumenta as chances de crescimento pessoal e profissional porque proporciona ampliação de vocabulário e melhor compreensão de conceitos abstratos. Em entrevista à Central de Estágio, a doutora em Teoria e História Literária e professora de Literatura Brasileira da Universidade Federal do Paraná, Milena Ribeiro Martins, fala sobre o assunto.

C. E: Qual a importância do estudante ter o hábito de leitura?

professoraM.R: É importante, é fundamental o estudante desenvolver, ao longo de sua formação, as habilidades necessárias para que ele leia bem. Para desenvolver habilidades, é preciso ler com frequência, com ritmo adequado, usando instrumentos (dicionário, pesquisa em outros livros, discussão) que lhe permitam entender melhor o texto lido. Então, além do hábito, a habilidade é importante.

O hábito de leitura é uma necessidade e um prêmio. Com a rotina de ler, e com leituras diversificadas e progressivamente mais complexas, desenvolvem-se mais capacidades, lê-se melhor, mais profundamente. Lendo-se melhor, a satisfação extraída do ato de ler aumenta. Daí, o estudante tenderá a ler mais. Não há como esperar que alguém leia sempre, se ele não conseguir ler bem. Aquilo que eu não faço bem, e ninguém me ajuda a melhorar, e eu me sinto incapaz de melhorar sozinho, eu abandono.

C. E: Como deve ser a rotina de leitura do estudante?

M.R: Ler sempre que possível, na escola e fora dela, textos que lhe deem prazer e dos quais ele extraia conhecimento, informação e sobretudo ideias para pensar sobre o mundo, sobre si, sobre outros mundos possíveis. O livro (penso especialmente no de literatura) é uma tentativa de diálogo, uma abertura para o conhecimento mútuo, uma estratégia para o autoconhecimento.

É importante também que o estudante dialogue sobre o que lê. Escolha pares com quem conversar sobre os livros lidos. Fale com seus professores sobre o que leu, peça sugestões de leitura. E os professores podem e devem estar abertos a conversar livremente com os estudantes. Mesmo que suas ideias sejam contrárias às deles. O objetivo do debate livre sobre livros não é o consenso, não é um ensinar sua verdade ao outro, mas discutir maneiras de ver e se ver no mundo. E, também, de transformar o mundo.

C. E: Como desfrutar dessa rotina?

M. R: É imprescindível frequentar espaços do livro, bibliotecas e livrarias. E, nesses lugares, ler. Conhecer a biblioteca (ou as bibliotecas) da sua cidade, além do acervo disponível na escola. Xeretar, folhear, pedir sugestões a grandes leitores, ler folhetos, resenhas em jornais e sites. Se a leitura é uma tarefa escolar, deve-se cumpri-la entendendo os seus propósitos. Se a leitura é livre, se é uma escolha do estudante (leitura por prazer, fora da escola), há que encontrar temas, estilos e gêneros que mais agradem ao leitor. E, também, ousar: ousar ler autores e títulos novos, ousar ler gêneros não conhecidos. Como quem viaja para um país desconhecido, é importante estar aberto a novidades.

C.E: Como avalia a relação dos jovens com as novas tecnologias e mídias sociais, referente à leitura?

M.R: Essa conexão, do jovem com as novas tecnologias e mídias, tem um interesse muito significativo pelo contato um com o outro, pelo conhecimento, pela expansão dos horizontes. Esse interesse em estabelecer conexões e participar de grupos, e também por produzir arte nas novas mídias. Essa vontade e esse envolvimento podem ser aproveitados pelas escolas para os seus propósitos, dentre os quais deve estar incluída a prática cotidiana da leitura. O uso de novos suportes para leitura, a criação e o uso de bibliotecas digitais, de vídeos, animações e imagens relacionadas com livros podem ser importantes auxiliares na formação leitora. É claro, que temos limitações tecnológicas, impostas por conexões ruins, por equipamentos obsoletos, ou pela falta de equipamentos e conexões, ou mesmo falta de energia elétrica. Não creio que devamos temer, de forma alguma, as novas tecnologias na educação. Elas não substituem o livro em papel, como o conhecemos; podem conviver harmonicamente com ele.

A doutora destaca ainda que quando estamos diante de um texto que nos parece difícil, é preciso ter paciência. Ler devagar é uma das chaves para a boa leitura. São muitas as habilidades postas em prática ao longo da leitura. Dentre elas, a capacidade de estabelecer relações entre textos de tempos ou lugares diferentes; colocar-se no lugar de outro; de viver emocionalmente uma experiência que, na vida real, seria indesejável ou impossível.
Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.